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Como manejar a Losna-do-Campo ou Cravorana?

Conhecer a biologia da planta daninha e adotar estratégias integradas de manejo são medidas fundamentais para reduzir sua interferência nas culturas agrícolas e preservar a eficiência dos herbicidas.
A Ambrosia spp., conhecida popularmente como losna-do-campo ou cravorana, é uma planta daninha que merece atenção nos sistemas de produção agrícola devido à sua capacidade de adaptação, competição com as culturas e potencial de interferência no desenvolvimento das plantas cultivadas.
Originária da América Central e do Norte, a espécie ocorre no Brasil, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Sua presença nas lavouras reforça a importância do monitoramento das áreas e da adoção de estratégias de manejo baseadas em conhecimento técnico e pesquisa agronômica.
Biologia e ecofisiologia da planta daninha
Entre as espécies frequentes no Rio Grande do Sul estão Ambrosia tenuifolia, Ambrosia trifida e Ambrosia artemisiifolia.
A planta apresenta folhas recortadas, crescimento ereto e inflorescências verticais. Dependendo da espécie e das condições ambientais, pode atingir aproximadamente 1,5 metro de altura e completar seu ciclo em até 180 dias.
A emergência é favorecida pela disponibilidade de luz e por temperaturas entre 15 °C e 20 °C. Outro aspecto importante é a persistência das sementes no solo, que podem permanecer viáveis por décadas, tornando o controle um desafio de longo prazo.
Uma única planta pode produzir, em média, de 3 mil a 4 mil sementes, com relatos de produção de até 62 mil sementes por planta. Essa elevada capacidade reprodutiva reforça a necessidade de prevenir a produção e a disseminação de novas sementes nas áreas agrícolas.
Além da competição por água, luz e nutrientes, a Ambrosia spp. pode apresentar efeitos alelopáticos, por meio da liberação de metabólitos secundários capazes de interferir no desenvolvimento de outras plantas.
Estudos de manejo conduzidos pela ATSI Brasil
Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de estratégias eficientes de controle, a ATSI Brasil conduziu estudos em Passo Fundo (RS), avaliando diferentes herbicidas e programas de aplicação para o manejo de Ambrosia spp.
Os resultados apresentados nos estudos demonstram a importância de considerar tanto a dessecação inicial quanto a aplicação sequencial, especialmente em situações de plantas com maior desenvolvimento.
Aplicação sequencial de herbicidas
Nos estudos apresentados, foram avaliados diferentes herbicidas, como 2,4-D, triclopir, fluroxipir, dicamba, halauxifem, halauxifem associado ao diclosulam e florpirauxifem.
Na modalidade sequencial, os tratamentos receberam glufosinato na dose de 2 L/ha, associado a Aureo a 0,5% v/v.
As avaliações indicaram diferenças de desempenho entre os tratamentos, reforçando a importância da escolha do herbicida e da combinação de estratégias de controle conforme as condições da área.
Controle de plantas desenvolvidas
Também foram avaliadas alternativas para o controle de plantas maiores de cravorana após diferentes sequências de aplicação.
A dessecação foi realizada com Roundup, na dose de 2 L/ha, associado a Paxeo, na dose de 44 g/ha, e Aureo a 0,5% v/v. A aplicação sequencial ocorreu dez dias após a dessecação.
Entre os tratamentos avaliados estavam glufosinato, saflufenacil, tiafenacil, epy rif enacil, diquate e diferentes associações entre herbicidas.
Os resultados apresentados evidenciam diferenças de controle entre as alternativas avaliadas. Por isso, a definição do programa de manejo deve considerar o estádio de desenvolvimento das plantas, as condições de aplicação e as características da área.
Importante: as doses e combinações mencionadas correspondem aos tratamentos descritos nos estudos. Sua utilização no campo deve respeitar o registro dos produtos, as recomendações de bula, a cultura, o alvo biológico e as condições locais.
Estratégias que contribuem para um manejo eficiente
O controle de Ambrosia spp. exige uma abordagem integrada, que considere o sistema de produção como um todo. Entre as principais recomendações estão:

  • Monitorar as áreas: identificar as espécies presentes, acompanhar a emergência e avaliar o desenvolvimento das plantas daninhas.
  • Priorizar o manejo inicial: realizar intervenções na pré-emergência e nos estádios iniciais de desenvolvimento, quando as condições forem favoráveis ao controle.
  • Integrar estratégias de manejo: combinar medidas químicas e práticas agronômicas adequadas ao sistema de produção.
  • Rotacionar mecanismos de ação: diversificar os mecanismos de ação dos herbicidas, conforme as recomendações técnicas, para contribuir com a prevenção e o manejo da resistência.
  • Evitar a produção de sementes: controlar plantas remanescentes antes que produzam e disseminem novas sementes.
  • Ajustar as aplicações: considerar as características do solo, a presença de palha, o estádio das plantas e a modalidade de aplicação.
O uso de herbicidas deve ser planejado de forma criteriosa, com atenção à seletividade, à eficácia e à sustentabilidade do sistema produtivo.
Conhecimento técnico para lavouras mais produtivas
O manejo de plantas daninhas é um dos componentes fundamentais para a construção de sistemas agrícolas mais eficientes e sustentáveis. No caso da Ambrosia spp., compreender sua biologia, acompanhar sua ocorrência e selecionar estratégias adequadas são medidas essenciais para reduzir sua interferência nas lavouras.
A ATSI Brasil reforça seu compromisso com a pesquisa agronômica e a geração de conhecimento aplicado ao campo, contribuindo para decisões técnicas mais assertivas e para o desenvolvimento de sistemas de produção cada vez mais produtivos.
 

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